Quando o salário entra… para onde vai o dinheiro?
A Vida por Trás das Contas – Episódio 1/3
Há famílias que não têm propriamente um problema de dinheiro. Têm um problema muito mais difícil de identificar: deixaram de conseguir ver o dinheiro.

Há perguntas que surgem no meio de uma conversa e desaparecem poucos minutos depois.
Outras ficam.
Às vezes nascem num contexto improvável, sem preparação, quase como um comentário lançado para o ar.
Foi isso que aconteceu numa formação de Power BI.
Estávamos a falar de dados, de modelos, de indicadores, de dashboards. De como uma empresa consegue reunir informação que está dispersa por diferentes fontes e transformá-la em algo que permita perceber rapidamente o que está a acontecer.
Vendas. Custos. Margens. Projetos. Prazos. Desvios. Tendências.
Tudo aquilo que, no mundo empresarial, aprendemos a medir porque sabemos que é muito difícil gerir aquilo que não conseguimos ver.
A determinada altura, Miguel interrompeu.
— Sabe uma coisa? Era disto que eu precisava lá em casa.
Houve alguns sorrisos.
Miguel também sorriu.
Mas depois continuou:
— Estou a falar a sério. Sei quanto recebemos. Sei quanto pagamos pela casa. Tenho uma ideia do que gastamos no supermercado. Mas se me perguntar quanto é que a minha família realmente custa por mês… não sei responder.
A sala ficou um pouco mais silenciosa.
Talvez porque aquela frase não fosse apenas sobre Miguel.
Talvez porque algumas pessoas tenham reconhecido nela uma pergunta que também já fizeram.
O dinheiro entrou. As contas foram pagas. Então… para onde foi o resto?
Antes dos números, há sempre uma vida
Chamemos-lhe Miguel Santos.
Miguel tem 52 anos.
É engenheiro mecânico e trabalha como responsável de projetos numa empresa ligada à indústria de cunhos e moldes, na zona de Estarreja.
Vive com a família na região de Coimbra.
É daqueles profissionais que estão habituados a acompanhar um projeto desde o momento em que ele praticamente ainda é uma ideia até ao momento em que se torna algo concreto.
Datas. Custos. Alterações. Problemas. Soluções. Reuniões. Clientes. Prazos.
Miguel vive diariamente rodeado de informação que precisa de ser organizada para tomar decisões.
Em casa, porém, as coisas sempre foram diferentes.
Não porque o dinheiro não fosse importante.
Mas porque, durante muitos anos, não pareceu necessário gerir a família como se gere um projeto.
Os salários entravam.
As contas eram pagas.
Algum dinheiro ficava.
E a vida seguia.
Até deixar de ser tão simples.
Ana, Martim, Maria… e uma casa que foi crescendo por dentro
Ana tem 50 anos.
É professora do ensino secundário na região de Coimbra.
Não começou a dar aulas aos vinte e poucos anos. O ensino chegou mais tarde, depois de uma mudança profissional e de uma decisão que implicou começar novamente numa fase da vida em que muitas pessoas procuram precisamente o contrário: estabilidade.
Está ainda numa fase inicial da carreira docente.
Talvez por isso continue a ter uma relação muito próxima com a ideia de aprendizagem.
Foi também assim que, algum tempo depois de conhecermos Miguel, nos cruzámos com Ana numa formação de Liderança e Gestão de Conflitos.
As coincidências só seriam percebidas mais tarde.
Miguel no Power BI.
Ana na área comportamental.
Duas pessoas da mesma família, em momentos diferentes, à procura de ferramentas para fazer melhor.
E essa característica não terminava nos pais.
Martim, o filho mais velho, tem 19 anos.
Entrou em Medicina Veterinária na UTAD, em Vila Real.
Foi uma notícia recebida com orgulho e algum alívio.
Ensino público.
Familiares na região que poderiam ajudá-lo, reduzindo significativamente o peso do alojamento.
À primeira vista, uma situação bastante favorável.
E era.
Mas estudar longe de casa nunca é completamente gratuito.
Há propina. Viagens. Alimentação. Material. Transportes. Pequenas despesas universitárias. Uma saída com os colegas. Uma necessidade que aparece numa terça-feira e que dificilmente entra no orçamento familiar com quinze dias de antecedência.
Mais tarde, Martim viria também a cruzar-se com a FPSin numa formação CPS — Caminho para o Sucesso, onde Coaching e PNL fazem parte do percurso.
Talvez não seja coincidência.
Há famílias que parecem ter uma espécie de inquietação saudável.
Acreditam que podem melhorar.
Que aprender alguma coisa nova pode mudar alguma coisa antiga.
Que ficar exatamente no mesmo lugar raramente produz resultados diferentes.
Os Santos são assim.
E depois há Maria
Maria tem 15 anos e frequenta o 10.º ano.
Mas dizer apenas isso sobre Maria seria dizer muito pouco.
Maria joga futebol.
E joga suficientemente bem para que aquilo que começou como um gosto de criança tenha começado a transformar-se numa possibilidade séria.
Treinos várias vezes por semana. Jogos. Torneios. Deslocações.
E as primeiras oportunidades em contextos de observação próximos da Seleção Nacional Sub-17.
Para Miguel e Ana, tudo isso é motivo de orgulho.
E também deve ser.
Quando Maria joga fora, sempre que conseguem, os pais vão assistir!
Quando precisa de equipamento, compram!
Quando um treino termina tarde, alguém tem de a ir buscar!
Quando existe um jogo importante a dezenas de quilómetros de casa, nunca é a gasolina que decide se vão ou não!!
É a filha deles!!!
Só que o dinheiro tem uma característica particularmente pouco emocional:
uma despesa não deixa de existir por ter uma boa razão.
Combustível. Portagens. Uma refeição fora. Umas chuteiras novas. Equipamento. Inscrição. Uma ida extra ao fisioterapeuta se aparecer uma pequena lesão.
Nada disto parece absurdo. Nada disto parece irresponsável. Mas tudo isto custa dinheiro.
A soma de muitas decisões razoáveis
Este talvez seja um dos pontos mais importantes desta história.
Os Santos não vivem numa casa luxuosa.
Não trocam de carro todos os dois anos.
Não passam fins de semana sucessivos em hotéis.
Não jantam constantemente em restaurantes caros.
Não existe uma grande extravagância que possa ser apontada como explicação para todos os problemas.
Existe uma casa.
Com uma prestação de aproximadamente 780 euros por mês.
Existem dois adultos que trabalham.
Miguel recebe um salário regular e, sempre que consegue, aceita pequenos trabalhos técnicos fora da empresa.
São trabalhos legais, faturados através de recibos verdes.
Há meses em que entram mais 200 euros.
Noutros, 300.
Algumas vezes perto de 400.
Noutros meses, simplesmente não existem.
Miguel chama-lhes “os extras”.
Ana recebe o seu salário de professora.
E, somados, os rendimentos permitem à família viver.
O problema começa precisamente aqui.
Porque viver é uma palavra pequena para uma quantidade enorme de acontecimentos.
A prestação são 780 euros.
Depois há eletricidade. Água. Telecomunicações. Supermercado. Combustível. Seguros. Carros. Martim. Maria. Saúde. Escola. Roupa. Pequenas reparações. Um aniversário. Um jantar. Uma prenda. Uma farmácia. Uma mensalidade qualquer que se renova silenciosamente. Trinta euros aqui. Sessenta ali. Cento e vinte noutro lado.Nenhuma destas despesas, isoladamente, parece capaz de provocar um problema.
É a soma que começa a contar outra história.

“Mas nós não comprámos nada…”
Foi numa noite aparentemente banal que a pergunta apareceu novamente.
Ana tinha aberto a aplicação do banco.
Não havia nenhuma emergência.
Nenhuma conta por pagar.
Nenhum aviso do banco.
Apenas um saldo mais baixo do que ela esperava.
— Miguel, vê lá isto.
Miguel aproximou-se.
Olhou.
Voltou a olhar.
— Isso já está assim?
— Pois.
— Mas nós recebemos há quanto tempo?
Ana sabia exatamente onde aquela conversa ia terminar.
Começaram a percorrer movimentos.
Supermercado. Gasóleo. Uma transferência para Martim. Eletricidade. Uma compra de Maria. Farmácia. Portagens. Uma refeição. Mais supermercado. Um débito que nenhum dos dois reconheceu imediatamente e que depois perceberam ser uma subscrição perfeitamente legítima.
Miguel abriu a calculadora.
Começou a somar.
Ana continuou a percorrer movimentos.
Passaram vários minutos nisto.
Até que Ana disse:
— Mas nós não comprámos nada de especial.
Era verdade.
E provavelmente essa era a parte mais desconcertante de todas.
Quando trabalhar mais não parece fazer sobrar mais
Miguel pensou nos trabalhos que tinha feito no mês anterior.
Dois pequenos serviços.
Algumas horas depois do trabalho.
Um sábado parcialmente ocupado.
Tinham rendido cerca de 300 euros.
Lembrava-se perfeitamente de os ter recebido.
Já não conseguia dizer onde estavam.
Não tinham desaparecido.
Tinham sido absorvidos.
Por alguma coisa.
Ou melhor:
por muitas coisas.
Essa diferença é importante.
Quando recebemos dinheiro irregular, é fácil atribuir-lhe mentalmente um estatuto diferente.
“Este mês entrou mais.”
E essa sensação pode traduzir-se numa folga que não é necessariamente real.
Porque o rendimento extraordinário pode estar apenas a financiar despesas que também não percebemos como estruturais.
E quando uma coisa irregular financia outra coisa irregular durante tempo suficiente, instala-se uma sensação curiosa:
ganhamos mais, mas nunca parece sobrar mais.
O paradoxo do Power BI
Na manhã seguinte, Miguel voltou para o trabalho.
Tinha uma reunião de acompanhamento de projetos.
Como tantas outras.
Abriu dados.
Analisou prazos.
Comparou valores.
Identificou desvios.
Percebeu que determinado projeto estava acima do previsto.
Outro estava dentro do orçamento.
Num terceiro seria necessário tomar uma ação antes que um problema pequeno se transformasse num problema grande.
E foi aí que aquela conversa em casa lhe voltou à cabeça.
Na empresa, Miguel conseguia discutir um desvio com bastante precisão.
Conseguia perguntar:
O que aconteceu?
Quanto desviámos?
Porquê?
Se continuarmos assim, onde vamos estar daqui a dois meses?
Em casa, no entanto, a metodologia era muito mais rudimentar.
Saldo bancário.
Memória.
Sensação.
E alguma esperança.
Há uma ironia nisto.
As organizações aprenderam há muito tempo a importância de olhar para trás, perceber o presente e tentar antecipar o futuro.
Em muitas famílias continuamos a tomar decisões financeiras essencialmente a partir de uma pergunta:
Quanto dinheiro temos hoje na conta?
Mas saldo não é necessariamente disponibilidade.
Parte daquele dinheiro já pode ter dono.
Só ainda não saiu.
O dinheiro que está na conta mas já não é nosso
Um dos maiores enganos de uma conta bancária é precisamente esse.
Ela mostra aquilo que temos.
Não mostra necessariamente aquilo que podemos gastar.
Imagine 1.200 euros disponíveis.
À primeira vista, existem 1.200 euros.
Mas daqui a oito dias sai um seguro de 290 euros.
Daqui a duas semanas há uma prestação.
No mês seguinte chega o IMI.
O carro precisa de revisão.
Martim precisa de fazer uma viagem adicional.
Maria tem um torneio fora.
Matematicamente, os 1.200 euros estão na conta.
Financeiramente, talvez uma parte deles já pertença ao futuro.
E esta diferença muda tudo.
Aquilo a que chamamos “imprevisto”
Algumas semanas depois, Ana lembrou-se:
— Em novembro temos o IMI.
Miguel assentiu.
Nada de grave.
Já tinham pago IMI muitas vezes.
Depois Ana acrescentou:
— E o seguro do carro é em fevereiro, não é?
Era.
E havia mais.
Revisão.
Algumas despesas do Martim.
Uma possível deslocação relacionada com o futebol da Maria.
Natal.
Uma série de coisas cuja existência ninguém desconhecia.
Foi aqui que surgiu uma pergunta particularmente desconfortável:
Se sabemos que uma despesa vai acontecer, ela é realmente inesperada?
Há verdadeiros imprevistos.
Uma avaria.
Um problema de saúde.
Uma perda de rendimento.
Uma emergência.
Mas há muitas outras despesas que tratamos como imprevistos apenas porque não acontecem todos os meses.
O seguro anual não é inesperado.
O IMI não é inesperado.
O Natal não é inesperado.
A manutenção de um automóvel não é propriamente uma surpresa existencial.
Uma matrícula escolar também não.
Sabemos que vêm.
O que frequentemente não fazemos é permitir que os meses anteriores se preparem para elas.
Uma família não é uma empresa. Mas há coisas que pode aprender com uma
Naturalmente, uma família não deve ser transformada num departamento financeiro.
Uma casa não precisa de um diretor financeiro.
Os filhos não são centros de custo.
Um jantar em família não deve precisar de análise de retorno do investimento.
E ninguém quer viver permanentemente dentro de uma folha de cálculo.
Não é esse o ponto.
O que as famílias talvez possam retirar da gestão empresarial é algo bem mais simples:
informação permite decidir antes.
Uma empresa não espera pelo final do ano para perceber que perdeu dinheiro durante onze meses.
Tenta acompanhar.
Compara.
Analisa tendências.
Cria alertas.
Planeia.
Quando se desvia, procura perceber porquê.
Não porque os números sejam mais importantes do que as pessoas.
Mas precisamente porque as decisões têm consequências sobre as pessoas.
E as empresas? Onde entram nesta história?
Talvez mais perto do que inicialmente parece.
Miguel não deixa de ser marido e pai quando chega à empresa em Estarreja.
Ana não deixa de ter uma prestação para pagar quando entra numa sala de aula.
Uma pessoa não estaciona as preocupações financeiras no parque de estacionamento da empresa antes de começar a trabalhar.
Elas entram connosco.
Às vezes silenciosamente.
Uma conta inesperada.
Um crédito que começa a pesar.
A dificuldade em chegar ao final do mês.
A preocupação com os estudos de um filho.
Um carro que avariou.
Uma renda que aumentou.
A sensação persistente de estar sempre a correr atrás do dinheiro.
Tudo isto pode existir ao mesmo tempo que uma pessoa participa numa reunião, atende um cliente, opera uma máquina, dá uma aula ou lidera uma equipa.
Bem-estar não termina na saúde física
Nos últimos anos, as organizações começaram — felizmente — a falar muito mais de pessoas.
Saúde mental.
Equilíbrio entre vida profissional e pessoal.
Motivação.
Propósito.
Liderança.
Ambiente de trabalho.
Talvez exista ainda uma dimensão que mereça mais atenção:
o bem-estar financeiro.
Não significa que uma empresa tenha de pagar as contas dos seus colaboradores.
Nem controlar a forma como gastam o seu dinheiro.
Muito menos interferir na vida privada.
Significa reconhecer algo bastante simples:
a literacia financeira também pode contribuir para a autonomia, tranquilidade e capacidade de decisão das pessoas.
E empresas são feitas de pessoas.
Literacia financeira não é saber escolher ações na Bolsa
Este é outro equívoco frequente.
Quando se fala de literacia financeira, rapidamente aparecem palavras como investimento, mercados, fundos, ações, obrigações ou criptomoedas.
Tudo isso pode fazer parte do universo financeiro.
Mas existe uma camada muito anterior.
Mais básica.
E talvez muito mais importante para uma família.
Saber quanto custa viver.
Distinguir rendimento regular de rendimento ocasional.
Conhecer os compromissos assumidos.
Preparar despesas que ainda não chegaram.
Construir uma margem de segurança.
Perceber o peso das dívidas.
Saber quanto dinheiro está verdadeiramente disponível.
Tomar uma decisão hoje sem comprometer silenciosamente o mês seguinte.
Antes de perguntar:
“Onde devo investir o meu dinheiro?”
talvez muitas famílias precisem primeiro de conseguir responder:
“O que está realmente a acontecer ao meu dinheiro?”
Melhoria contínua também se aplica à vida
Miguel procurou uma formação de Power BI porque queria aprender.
Ana mudou de percurso profissional e continua a investir em competências.
Martim, já na universidade, procurou ferramentas de desenvolvimento pessoal no CPS.
Maria treina várias vezes por semana porque sabe que talento sem trabalho dificilmente chega longe.
Há um padrão nesta família.
Melhorar.
Não necessariamente fazer mudanças radicais.
Melhorar.
Um pouco.
Depois observar.
Corrigir.
Voltar a tentar.
É aquilo a que no mundo das organizações chamamos tantas vezes Melhoria Contínua.
E talvez este conceito faça tanto sentido numa casa como numa fábrica, num serviço ou num projeto.
Porque melhorar não começa obrigatoriamente por fazer mais.
Muitas vezes começa simplesmente por ver melhor.
Nessa noite, os Santos não resolveram as finanças
E isso também importa dizer.
Miguel não chegou a casa com uma fórmula.
Ana não criou um orçamento perfeito.
Não cancelaram todas as subscrições.
Não decidiram nunca mais jantar fora.
Não proibiram Maria de jogar futebol.
Não disseram a Martim para voltar de Vila Real.
Também não chegaram à conclusão de que precisavam simplesmente de ganhar mais.
Fizeram algo muito mais pequeno.
Sentaram-se.
Conversaram.
E escreveram três perguntas num caderno.
1. Quanto custa realmente a nossa vida todos os meses?
2. Quanto do dinheiro que temos está verdadeiramente disponível?
3. O que sabemos hoje que vai acontecer nos próximos meses?
Ficaram algum tempo a olhar para aquilo.
Três perguntas.
Nenhuma particularmente sofisticada.
E, no entanto, não conseguiam responder imediatamente a nenhuma delas.
Talvez o primeiro passo não seja poupar
Falamos muito de poupança.
É importante.
Mas dizer a alguém simplesmente “tens de poupar mais” pode ser tão útil como dizer a uma empresa “tem de ter mais lucro”.
A verdadeira questão é:
como?
Onde existe margem?
Que despesas são estruturais?
Quais são ocasionais?
Que rendimentos podemos considerar estáveis?
O que acontece quando surge um mês mais pesado?
Que compromisso termina primeiro?
Quanto precisamos de proteger?
O que podemos alterar sem destruir aquilo que dá qualidade à nossa vida?
Porque o objetivo de organizar financeiramente uma família não deveria ser transformá-la numa existência de privação permanente.
Deveria ser algo muito mais simples:
permitir que as escolhas sejam feitas com consciência.
A pergunta que ficou na mesa
Antes de se levantarem, Ana voltou ao assunto do IMI.
Depois ao seguro.
Miguel lembrou-se de uma revisão.
Maria tinha um jogo fora algumas semanas depois.
Martim provavelmente viria a casa num dos fins de semana.
De repente, os meses que ainda não tinham acontecido começaram a parecer menos vazios.
Havia coisas lá dentro.
Custos.
Decisões.
Compromissos.
A vida já tinha começado a ocupar o futuro.
Miguel voltou ao caderno e escreveu uma última frase:
“Talvez o problema não seja só saber para onde foi o dinheiro. Talvez seja perceber para onde ele vai antes de ir.”
E essa pergunta merece outro episódio.
Continua…
Episódio 2 — A despesa que ninguém esperava… mas que todos sabiam que ia chegar
No próximo episódio de A Vida por Trás das Contas, voltamos à Família Santos. Vamos falar de seguros, impostos, carros, filhos, calendário e daqueles meses em que parece que todas as despesas decidiram aparecer ao mesmo tempo. E vamos tentar responder a uma pergunta:
Quantos dos nossos “imprevistos” são realmente imprevisíveis?
Nota editorial
A Família Santos e as situações descritas nesta série constituem uma narrativa ficcional construída a partir de circunstâncias comuns do quotidiano de muitas famílias e de temas que surgem frequentemente em contextos de formação, desenvolvimento pessoal, gestão e literacia financeira. Nomes, profissões e acontecimentos foram criados para fins editoriais.
Relatórios de Sustentabilidade – Entendamos a sua importância

Os relatórios de sustentabilidade, têm vindo a assumir cada vez mais um papel fundamental nas empresas, pois espelham a realidade que a organização enfrenta, mas mais importante ainda, mostra qual o caminho a percorrer para a concretização de uma Visão maior, não esquecendo nenhuma das partes envolvidas e interessadas.
OBJECTIVOS MAIORES DO RELATÓRIO DE SUSTENTABILIDADE
- Identificar as principais áreas de atuação;
- Analisar as principais componentes ambientais, sociais e económicas (Análise SWOT);
- Reconhecer o mesmo como sendo uma ferramenta de apoio à organização, para promover a comunicação interna e externa entre partes interessadas.
As empresas devem começar por entender os temas mais relevantes dentro do seu setor de atividade, fazendo uma reflexão profunda sobre o que desejam efetivamente reportar.
10 passos a considerar na execução do relatório de sustentabilidade
O documento deverá reunir as principais informações sobre ações, promessas, metas e resultados da empresa nas diversas frentes do ESG (Environmental, Social and Governance).
Não há um padrão único para este tipo de relatório, todavia há alguns “frameworks” internacionais que poderão ser costumeiramente considerados pelas empresas e organizações que nunca produziram um relatório de sustentabilidade, abrangendo as dimensões sociais, ambientais e económicas de forma integrada, seguindo ou não metodologias globais, como a GRI (Global Report Initiative) e a CDP (Carbon Disclosure Projetc) ou os indicadores do ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial) entre outros, o processo de construção de um documento deste tipo deve ser percebido como oportunidade de aprendizagem organizacional na busca de melhorias, inovação e análise de oportunidades.
Não é obrigatório para as empresas, divulgarem relatórios de sustentabilidade, mas é algo bem visto no mercado por ser uma forma de mostrar transparência e dessa forma ajudar investidores, financiadores, clientes, fornecedores e outros agentes, a entender, detalhadamente, o que a organização se compromete a fazer e está a cumprir em termos ESG.
Em Portugal, é uma prática cada vez mais comum, divulgar informações de sustentabilidade e financeira juntas, num mesmo documento. Neste artigo, compilamos algumas abordagens que frequentemente aconselhamos os nossos clientes a contemplar no momento em que decidem iniciar essa jornada.
- Transmitir com clareza e transparência a visão integrada da organização. Definir metas públicas e conectadas com a estratégia ajuda a acelerar os avanços e revela aonde a organização quer chegar;
- Realizar o processo de materialidade e ouvir os “stakeholders” para identificar quais são as intersecções entre os temas de interesse das partes, e os temas mais relevantes para a organização (recorrendo a inquéritos de satisfação e de opinião);
- Envolver a organização! O relatório é uma construção coletiva. Não apenas no levantamento das informações, mas também serve como fonte importante para compartilhar avanços, necessidades e perceções do relacionamento direto das áreas com processos e/ou públicos específicos;
- Adotar padrões de relato reconhecidos: GRI é pioneiro e um dos modelos mais usados no mundo, mas outras iniciativas ajudam a complementar as informações, como o SASB, TCFD, Relatório Integrado e CDP;
- Garantir Equilíbrio. O relatório deve refletir a realidade da Organização, de maneira precisa, com destaques positivos, desafios e como a organização lida com esse cenário;
- Apresentar indicadores. Incluir a série histórica para demonstrar a evolução (ou involução) sobre uma base única também é importante, bem como explicar como esse indicador contribui para a estratégia integrada;
- Contar com auditoria independente. Quando a organização atingir certa maturidade nos seus processos, é ideal que se busque uma auditoria independente para avaliar as informações. Deixamos a sugestão de implementação de Sistemas de Gestão QAS, bem como a adesão a iniciativas WCM-LEAN/ KAIZEN;
- Tornar as informações acessíveis, fáceis de serem encontradas é essencial;
- Comunicar é preciso. É necessário fazer com que a divulgação chegue de fato a todas as partes interessadas. Para tanto, é preciso inserir os resultados ESG em todos os pontos de contato com públicos específicos, sempre procurando o equilíbrio, entre destaques, avanços e desafios;
- Garantir Credibilidade. O relatório é um retrato efetivo da empresa, reflete a relevância dada pela gestão da organização ao tratamento das questões que envolvem a agenda da sustentabilidade.
O relatório de sustentabilidade poderá indicar diferentes áreas estratégicas em que a empresa atua, por forma a gerar impacto sócio-ambiental e promover o próprio desenvolvimento sustentável. Deixamos alguns exemplos à consideração:
- Criar uma cadeia de fornecimento que combata as mudanças climáticas e proteja a biodiversidade;
- Promover boas práticas para o planeta;
- Combater desperdícios, reciclar e reutilizar: rumo à economia circular, considerar ECODESIGN;
- Construção de um futuro renovável;
- Ajudar a enfrentar os problemas de saúde em todas as fases da vida;
- Contribuição para uma economia sustentável;
- Prosperidade para as pessoas;
- Crescimento Responsável, Tecnologia e Inovação;
- Acesso e inclusão;
- Produtividade e competitividade;
- Compromisso na redução de emissões carbónicas até 2045, com metas intermediárias para 2025 e 2030 (Descarbonização Industrial).

